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Veneno de fábrica

Subaru Impreza WRX e WRX STi



Alguns carros já nascem predestinados ao sucesso. Esta possibilidade ainda é maior quando a eles estão associados nomes de fabricantes como Subaru, a divisão automotiva da Fuji Heavy Industries. A marca tornou-se conhecida no Japão por criar veículos bastante resistentes, dotados de ótimo padrão tecnológico e muito desempenho. Um bom exemplo disto, foi a primeira geração do Legacy, que disputou o mundial de rally usando um inédito motor boxer de 4 cilindros, o EJ20.

Apesar de merecer, não é o Legacy o alvo deste artigo, mas sim o carro que foi lançado em novembro de 1992 e do qual recebeu parte do seu "DNA". Naquele ano a Subaru apresentava ao mercado seu mais novo modelo, um sedan de 4 portas, mais compacto que o Legacy, dotado do mesmo motor EJ20 e tração integral permanente - o Impreza. Já no ano de 93 o carro ingressou no disputado mundo do rally, conquistando bons resultados. Em 94, ainda em seu segundo ano de produção e de participação no campeonato, conduzido por Carlos Sainz, a equipe oficial da fábrica alcançou 3 vitórias com o modelo e terminou a temporada em 2º lugar.

O Impreza, definitivamente começava sua trajetória de conquistas. Mostrando todo o seu potencial, a equipe da Subaru conquistou três campeonatos seguidos de construtores, nos anos de 95, 96 e 97. Tal feito só havia sido conseguido até então pela Lancia. Em 2001, um novo título, desta vez de pilotos, com o piloto Richard Burns. E finalmente em 2003, ao completar dez anos em produção, Petter Solberg conquista o WRC de pilotos, mais uma vez para a Subaru, ao volante desta verdadeira máquina de vitórias.

Toda esta história recheada de sucessos, fez com que o mundo olhasse com curiosidade e desejo o pequeno sedan. Todavia, ao longo dos pouco mais de dez anos em que o Impreza é produzido, poucos foram os consumidores fora do mercado japonês que tiveram o privilégio e o prazer de andar a bordo de um destes carros. Em seu país de origem o modelo sempre contou com uma ampla gama de opções, que iam das versões mais simples em termos de acabamento e com motores de 1.5 litros aspirados - também de cilindros opostos (Boxer) e 95 cavalos de potência - às mais sofisticadas e completas, equipadas com os desejados motores turbo de 2 litros e cerca de 300 cavalos. Não bastassem as apimentadas versões de fábrica, versões especiais, foram feitas por inúmeras empresas.

Mas duas versões "originais", são as que nos chamam atenção - a WRX e a WRX STi. Basicamente, os modelos consistem de versões de rua do carro que disputa o WRC. O Impreza WRX é um veículo com estrutura de chassis monobloco, reforçado por um subframe, a fim de aumentar a rigidez torsional eo seu comportamento dinâmico. A suspensão dianteira usa o sistema McPherson com amortecedores ajustáveis e na traseira um sistema Dual Link de braços paralelos, eixo de torção e barra estabilizadora. Os freios são a disco nas quatro rodas com assistência ABS quadricanal e EBD (Eletronic Brakeforce Distribution).

Embora o motor do WRX e do WRX STi, seja o mesmo existem pequenas diferenças que fazem com que o resultado seja sensivelmente diferente para cada uma das versões. O EJ20, é um motor de cilindros opostos horizontalmente, com bloco e cabeçote de 16 válvulas DOHC, em alumínio, que devido à sua configuração, tem um funcionamento mais suave (menor vibração) e propicia ao carro um centro de gravidade mais baixo que os motores em linha e em "V". Por outro lado, a disposição dos cilindros cria certas dificuldades na adoção do turbo. Para resolver isto, os engenheiros criaram coletores de admissão e escape com mesmo comprimento, de forma a posicionar o turbo e o intercooler logo sobre o bloco e também para resultar um menores restrições de fluxos de escape.

Na configuração feita pela Subaru para o Impreza WRX, o motor produz 250 cavalos de potência a 6000 rpm e 34 kgfm de torque 3600 rpm, para os modelos produzidos para o mercado japonês. Durante anos pode-se ler avaliações e testes fantásticos em praticamente todas as revistas americanas especializadas, mas somente em 2001 o consumidor americano teve acesso ao carro, devido a regulamentação sobre emissão de poluentes. Assim a versão WRX americana, teve sua potência reduzida para 227 cavalos e 30 kgfm de torque, entre outras coisas, pela adoção de um terceiro catalisador, na verdade um pré-catalisador, entre o turbo e o motor. Tanto na versão japonesa como na americana, pode-se optar por um câmbio automático de 4 velocidades com possibilidade de mudanças manuais no volante, ou um mecânico de 5 velocidades.

Qualquer que fosse o carro, já seria suficiente para incluir o Impreza WRX como um verdadeiro "envenenado" de fábrica. A força do motor em sua versão japonesa (250 cv), é capaz de fazê-lo atingir os 100 km/h em 5.8 segundos e a máxima de 240 km/h. Parte da justificativa deste desempenho, vem da tração integral nas quatro rodas, perfeitamente simétrica e com diferencial central de deslizamento limitado. Além disso, o "piloto" pode internamente regular a quantidade de torque que vai para cada eixo. Graças a este sistema de tração, o WRX acelera bem mais rápido do que os seus concorrentes diretos, como Audi S3 e Alfa Romeo 14 GTA.

Mas como se já não fosse o bastante para superar praticamente qualquer concorrente, a Subaru reservou aos mais afoitos o Impreza WRX STi. O carro recebe preparação de fábrica, feita pela Subaru Tecnica International (STI). Em relação ao seu irmão mais "calmo", o motor EJ20 do STi, recebe um novo turbo IHI, comando de válvulas variável AVCS (Active Valve Control System), coletores otimizados em geometria e novo módulo ECU para gerenciamento do motor. O resultado são 280 cavalos a 6000 rpm e 40.2 kgfm de torque a 4400 rpm na versão japonesa e 300 cavalos e 41.5 kgfm de torque na versão americana!

A esta altura o leitor deve estar perguntando se estamos loucos! Na verdade não! O que nem a própria Subaru explica, mas extra-oficialmente se comenta, é que na verdade o STi para o mercado japonês, não tenha os 280 cavalos divulgados, mas sim algo em torno dos 320! Acontece que existe uma regulamentação no Japão que impede que os veículos para o mercado interno ultrapassem os 280 cavalos e ainda recomenda que não exceda em muito este limite para exportação. Assim, acrescentando os mecanismos para controlar a emissão de poluentes para os veículos exportados para os EUA, ainda restariam generosos 300 cavalos!

Assim como a motorização, o sistema de transmissão do STi tem muitas semelhanças com sua versão mais civilizada. Contudo a embreagem recebe um disco multi-platô a fim de suportar o maior torque do motor. O câmbio disponível no modelo é unicamente um de 6 velocidades, onde a 6ª é uma marcha de velocidade máxima real e não um overdrive. A bitola dianteira e traseira são ligeiramente maiores, bem como a largura e o diâmetro das rodas: 16" X 6.5J (WRX) contra 17" X 7.5J (STi). Naturalmente, os pneus são também diferentes, sendo que o WRX usa 205/55 R16 89V e o STi usa 225/45 R17 90W. Os discos de freios ventilados nas quatro rodas, são outro item que na versão STi, foram aumentados: 12.7" na frente e 12.3" atrás, contra 11.4" e 10.3" no WRX. A suspensão é basicamente a mesma, mas com amortecedores e molas mais duros.

Mesmo com um aspecto e estilo bastante arrojado e esportivo, denunciado por aspectos como as grandes rodas de 16 polegadas, o aerofólio traseiro sob o porta-malas, as grandes entradas de ar frontal ou a dupla saída cromada de escape, o WRX em sua versão STi, consegue ir mais longe ainda em termos de ousadia estética, sugerindo ainda mais emoção ao dirigi-lo. As rodas de alumínio BBS e pneus de diâmetro maior e mais largos, pára-choques mais robustos e diferenciados com a inscrição STi no local dos faróis auxiliares, saias laterais, cano de escape único de 2.5 polegadas substituindo a dupla saída do WRX, e um imenso aerofólio bem elevado em relação à linha de cintura, são os principais aspectos de diferenciação estética entre o WRX e o WRX STi.

Por dentro, pouco muda entre os dois modelos, como padronagem do revestimento dos bancos, que no STi também levam a cor do carro, além de serem mais envolventes ainda. No mais, um painel simples mas bonito e de acordo com sua natureza esportiva, com destaque para o conta-giros que fica localizado em posição central, como nos melhores esportivos. A sua direita, o velocímetro e a direita temperatura e combustível. Poderia haver um manômetro da pressão do turbo e do óleo, mas a sua ausência não chega a ser um pecado. O volante Momo e a alavanca de mudança de marcha são revestidos em couro. No console central, um pequeno controle faz a distribuição manual do diferencial central, que pode ter funcionamento automático. Sistema de sonorização é opcional, talvez supondo que o som principal do carro, venha do motor!

Em sua versão mais potente - o STi - o Impreza é capaz de acelerar aos 100 km/h em apenas 5,2 segundos e ultrapassar os 250 km/h de máxima se retirado o limitador eletrônico de velocidade. São números compatíveis com esportivos de renome mundial e ainda capazes de pulverizar as marcas de concorrentes como Audi S3, Focus RS e Alfa Romeo 147 GTA, fazendo-o pleitear o posto de "Rei do Veneno de Fábrica".

 

Ficha Técnica do Impreza WRX STi 2003 japonês

Motor: EJ20, 2.0 litros, 4 cilindros horizontalmente opostos (boxer), dianteiro, 4 válvulas por cilindro DOHC, injeção eletrônica multiponto sequencial, turbo type IHI, intercooler.
Diâmetro x Curso: 92,0 mm X 75,0 mm
Tx. de Compressão: 10,8:1
Cilindrada: 1994 cm³
Potência: 280 cv @ 6 000 rpm
Torque: 40,2 kgfm @ 3 400 rpm
Aceleração: (0 - 100km/h) 5,2 s
Vel. Máxima: 250 km/h (limitada)
Cambio: Manual, 6 velocidades
Freios: Discos ventilados nas quatro rodas. Assistência ABS e EBD
Rodas: 7.5J X 17"
Pneus: 225/45 R17 90W
Dimensões
Comprimento: 4415 mm
Largura: 1740 mm
Altura: 1430 mm
Entre-eixos: 2540 mm
Peso: 1480 kg

Direitos Autorais: Tchesco Envenenado