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Como aumentar a velocidade
final e a aceleração do meu carro?!

Todos precisam ter em mente que velocidades máximas e níveis de aceleração
dependem sim da potência e do torque que um motor pode desenvolver, mas
que em 100% dos casos, constituem apenas uma pequena parcela dos inúmeros
fatores que devem ser considerados para produzir um melhor desempenho
geral do veículo hipotético. Para tentar justificar ao leitor nossa
argumentação, necessariamente teremos que abordar o assunto de um ponto
de vista um tanto técnico, recorrendo à leis e definições da física.
Todavia, tentaremos ser tão superficiais quanto possível, para não
tornar o assunto muito chato e tampouco incompreensível, especialmente
para quem "fugiu" das aulas de física da escola.
Como intuitivamente se imagina, aumentar os níveis de potência e torque,
vai nos levar em direção ao nosso objetivo, mas primeiro há que se
avaliar qual o método mais indicado para isto, com o menor
comprometimento possível da relação de consumo e durabilidade do motor.
Existem ainda aspectos ligados às características do motor, curvas mais
planas ou acentuadas de torque e potência, regimes de pico e de operação,
rotações ideais de funcionamento, temperatura de funcionamento, e até
fatores como volume de funcionamento. Para se ter uma idéia do que
estamos falando, motores mais barulhentos e que funcionam sob maiores
temperaturas, estão "jogando fora" energia que deveria ser
empregada no movimento e, transformando-a em energia sonora e térmica,
respectivamente.
Tais características de funcionamento de um determinado motor, surgem
como resultado primeiramente de seu projeto original e em segundo do tipo
de preparação que se utiliza no mesmo. Desta forma, recursos de sobre -
alimentação nos dão potência e torque extras, mas em diferentes
regimes de funcionamento, como é o caso do turbo e do compressor. No caso
do primeiro, em geral privilegia-se a potência em rotações mais
elevadas e, no caso do segundo o torque já a partir de baixas rotações.
Detalhar apenas este tópico, já exigiria algumas páginas a respeito,
uma vez que mesmo no caso do turbo, o resultado varia de acordo com
detalhes como: tamanho e quantidade de turbinas usadas, rendimento mecânico,
regime de operação do motor, ajustes e ainda uma lista extensa. Daí
porque é comum encontrar motores teoricamente idênticos, mas produzidos
por preparadores diferentes, e que apresentam rendimentos diferentes.
Mas afinal, qual o papel do torque e da
potência em nossa tarefa? Como já abordamos no artigo "Torque X Potência",
o torque é a grandeza responsável por levar um veículo de um lugar para
o outro - ou Trabalho (δ) em termos de Física - não
importando o quanto tempo se leve para isto, um segundo ou uma hora. Já a
potência é a medida da velocidade com que este Trabalho (ou força
empregada para produzir um deslocamento) é realizada. Logo, um carro 1.0
realiza o mesmo trabalho que um Ferrari F1, para ir de São Paulo ao Rio
de Janeiro, mas por disporem de potências bem distintas, o fórmula 1 o
faz em muito menor tempo.
A esta altura já deve estar claro ao leitor que o principal componente
responsável por atingir sua sede por velocidade vem da potência, embora
ambos os fatores não possam ser dissociados. A explicação disto vem em
parte dos demais fatores que influenciam a velocidade. O primeiro deles é
o peso do carro. Neste ponto começa a ter importância o quanto de torque
o motor disponibiliza, já que este componente é que vai por o carro em
movimento. Você sente e utiliza-se do torque com mais evidência, toda
vez que tem que subir uma rampa. Motores com menos torque, tem maior
dificuldade para subir. Deste fato explica-se as generosas doses de torque
de que dispõe os veículos Off Road e de carga (caminhões e ônibus). Já
um veículo com torque e que ainda tenha também potência de sobra, não
apenas conseguirá subir a rampa, como vai fazê-lo de forma rápida.
O segundo fator onde o torque se faz notar, vem dos elementos restritivos
ou que trabalham contra o movimento. A explicação para isto vem de uma
análise da Segunda Lei de Newton. Quando se alcança a velocidade máxima?
Naturalmente quando o carro para de acelerar, ou ganhar velocidade, ou
ainda se preferir a força de resistência do vento é igual a força do
motor empurrando-o para frente. Justamente, este é o momento crítico em
que não se pode mais aumentar a velocidade: F=M.A, onde F
é a força que o motor empreende, M a massa do veículo e A
a sua aceleração, que neste instante é ZERO. Note que não estamos
falando em acelerar de 0 a 100 km/h, mas acelerar no sentido de mudar a
velocidade!!!
Neste exato instante o motor não consegue mais vencer a força de resistência
imposta pelo ar. Estamos falando de aerodinâmica. O cálculo para
determinar sua grandeza é razoavelmente complexo e envolve cálculo
diferencial, para tanto. Mas para tentarmos quantificar e caracterizar o
que acontece, adotemos que aproximadamente a coisa funcione assim: A Força
restritiva ou retardadora do ar, é determinada por uma constante, que tem
a ver com o coeficiente aerodinâmico do veículo (Cx) e com a viscosidade
do fluido, que é o ar no nosso caso mas poderia ser água, por exemplo.
Esta constante é multiplicada pela velocidade do veículo ao quadrado.
Note que, por este cálculo um carro que esteja a 80 km/h, enfrenta uma
força 4 vezes maior de resistência do ar, para atingir os 160 km/h e não
apenas o dobro. O dobro da resistência, já viria em algo em torno dos
113 km/h! A situação torna-se ainda mais evidente, quando comparamos as
forças impostas pela ação retardadora do ar aos 240 km/h, ou seja
quando a velocidade é o triplo de 80, a resistência chega a ser 9 (NOVE)
vezes maior!
Desta maneira fica fácil entender porque muitas vezes modelos que
receberam motores mais fortes em versões mais recentes, não tiveram
significativa mudança em suas velocidades máximas. Em geral, este tipo
de alteração se faz notar mais acentuadamente em acelerações de 0 a
100 km/h, onde a resistência do ar não é tão forte como em regime de
velocidade máxima. Explica-se também a preocupação dos fabricantes de
modelos esportivos e top de linha, com a aerodinâmica de seus carros.
Baseado nisto que o Opel Calibra - o carro de produção seriada com um
dos melhores Cx do mundo - conseguia velocidades máximas acima de outros
concorrentes com peso semelhante e motores mais fortes.
Como já foi dito, o fator de penetração aerodinâmica, além da forma e
área determinadas pela carroceria do veículo, também tem determinação
pela viscosidade do fluido, que no nosso estudo significa densidade ou
quantidade de móleculas de ar. Isto pode ser obervado pelos jatos
comerciais e de caça, que em percursos mais extensos procuram atingir
altitudes maiores, onde o ar é mais rarefeito, alcançando por isso
maiores velocidades e com menor consumo de combustível. Por outro, lado
motores que não disponham de recursos de sobre-alimentação, tem seu
desempenho diminuido justamente por contarem com menor quantidade de oxigênio
para injetar nas câmaras de combustão.
Infelizmente há pouco que se possa fazer em um carro para alterar o
coeficiente de penetração aerodinâmica que ele possui de fábrica.
Lembre-se que este é um estudo complexo, que envolve horas de
desenvolvimento acompanhado em túnel de vento, com análises de mecânica
de fluidos e uma série de cálculos. Apêndices aerodinâmicos como
spoilers e aerofólios, algumas vezes servem apenas para conferir melhor
direcionamento dos fluxos e, em muitas ocasiões até pioram o resultado.
Um exemplo clássico, é o famoso Lamborghini Countach, que poderia vir de
fábrica com ou sem aerofólio. A diferença é que na versão sem o acessório,
a velocidade final era quase 20 km/h maior!
Bem, já que quanto a aerodinâmica há pouco ou nada a se fazer, o que
mais preciso alterar para melhorar o desempenho? A resposta é, sistema de
transmissão. Entende-se por isto o conjunto de diferencial e relações
de marcha. Na concepção de fábrica, pelo menos teoricamente todo
conjunto de câmbio e diferencial, tem suas relações determinadas de tal
forma que a velocidade máxima seja alcançada tão próxima quanto possível
da rotação de maior potência. Lembra-se? É a potência a responsável
por fazer o carro cumprir uma distância no menor tempo.
Com a preparação do motor, não apenas
as grandezas referentes ao torque e potência foram alterados, como muito
possivelmente a faixa de rotação em que elas se dão. Daí vem a
necessidade de readequar as relações de forma que o motor esteja
trabalhando em seu regime ideal na velocidade máxima. Há casos em que o
fabricante, por diversas razões, não escolhe uma relação assim.
Tradicionais fabricantes nacionais, já colocaram em linha modelos em que
em quinta marcha atingia a velocidade máxima antes do regime de
velocidade máxima do motor, assim como o contrário já se viu.
Outro fato que poucos atentam no que diz respeito a relação de
transmissão, vem da alteração nos tamanhos de rodas e pneus. Toda vez
que a circunferência do conjunto é alterada, diretamente estamos
alterando a relação de transmissão. Conjuntos maiores, produzem
alongamento da relação e menores, encurtamento. A mudança ainda produz
menor torque transferido ao piso, quando se opta por conjuntos maiores e
aumento, com a sua diminuição. Mais ainda, se a troca produzir
alteração de bitola e na altura do carro, a aerodinâmica também será
afetada. E a simples troca do conjunto de rodas e pneus por outro de maior
largura, irá produzir maiores perdas por atrito com o solo.
Por fim, mas não sendo o último detalhe, há a suspensão, reponsável
por garantir antes de mais nada contato permanente das rodas com piso, sem
o que não se pode transferir força para piso e produzir movimento. Todo
o sistema, desde a sua geometria, calibragem e peso, deve ser sintonizado
para funcionar com perfeição. Para mais informações a este respeito, o
leitor pode consultar o artigo "Preparando a Suspensão", na
seção Matérias.
Agora deve estar um pouco mais claro ao
visitante da Carroslokoekões quais dos principais fatores que determinam
o desempenho de um carro. É importante lembrar que o assunto é extenso e
fatores como perdas mecânicas e de rendimento, não foram mencionadas por
tratar de alterações ainda mais complexas e dispendiosas. Fica claro
agora entender, porque investe-se milhões em carros de F1 de uma
temporada para outra, onde diversos projetistas lançam mão de toda
tecnologia ao seu alcance, em troca de apenas 4 ou 5 km/h de velocidade máxima!
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Autorais: Envenenado.com.br
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