|
Matérias
Reprogramação de chip
Mesmo diante de uma tendência mundial com relação à restrições de
emissão de poluentes e questões envolvendo segurança - que acabam
por limitar a potência dos veículos - existe hoje no mundo um
número cada vez maior de apaixonados por velocidade e
principalmente por carros que contam com preparação especial. Para
se ter uma idéia do que esta tendência vem representando a nível
mundial, em países como os EUA, Japão e Alemanha - apenas para
citar três referências - há pessoas que compram um determinado
modelo de carro e chegam a gastar dezenas de milhares de dólares
em peças especiais para o motor e acessórios diversos como, rodas,
spoilers, kits aerodinâmicos e itens de sonorização, ultrapassando
o próprio valor do carro, apenas com esta paixão chamada "tuning".
Atualmente, nestes países, a indústria do "tuning" tem se
desenvolvido em uma velocidade impressionante, existindo até mesmo
salões de projeção internacional, especializados nesta prática. Os
números oficiais deste setor, ainda não são precisos, mas
comenta-se que só nos EUA, movimente anualmente algo como US$
5.000.000.000,00 (cinco bilhões de dólares!).
Já no Brasil, este mercado pode não se encontrar ainda no mesmo
nível de crescimento e de popularização, mas é possível
identificar um público cada vez maior e muito interessado na
“arte” de equipar seu carro. Uma das razões do mercado nacional
não ter atingido nem mesmo o nível mais básico em que poderia
estar, se deve a escassez de empresas que invistam e acreditem
neste grupo de consumidores sedento por novidades e opções de
qualidade. A questão não está em apenas colocar, por exemplo, um
kit turbo em seu recém comprado (e lançado) Volkswagen Fox, mas
que ele seja bem instalado, propicie o resultado esperado (e
prometido) e não comprometa o seu patrimônio.
Mais uma vez a título de exemplificar o que estamos falando, no
Japão chega-se ao extremo de existirem publicações especializadas
em apenas um determinado fabricante ou até mesmo de apenas um
modelo. Nestas revistas, pode-se encontrar toda uma gama de peças
e componentes que cobrem desde uma simples manopla de câmbio até
mesmo um módulo esportivo para gerenciamento do motor. Não
bastasse haver opções para praticamente toda e qualquer parte do
carro, nesta gama ainda é possível ter-se, por exemplo, diversos
fabricantes diferentes de módulos de injeção esportiva para um
único motor.
É justamente
visando orientar o nosso leitor em relação às possibilidades disponíveis
no mercado nacional, que inauguramos aqui uma série de artigos,
abordando desde as formas mais simples e econômicas de preparação, até
as mais sofisticadas e consequentemente mais caras e, sempre buscando
aquela que concilie o resultado pretendido e o orçamento disponível.
Antes de prosseguirmos e entrarmos no assunto propriamente, é importante
termos em mente que qualquer que seja o nível de preparação que se
escolha, alguns cuidados preliminares devem ser tomados.
Quando se opta em mexer no motor, antes de mais nada é preciso proceder
à verificação do estado geral do mesmo, pois ele vai passar a trabalhar
em regimes de funcionamento acima daqueles definidos em sua concepção
original, podendo sofrer um desgaste prematuro até mesmo quebras e,
gerando assim gastos e aborrecimentos. O ideal é que seu carro passe por
uma avaliação criteriosa de um mecânico de sua confiança. Peça que ele
avalie as condições do motor, que verifique se há algum barulho estranho
ou anomalia e que ele meça a taxa de compressão do motor. Se tudo
estiver dentro dos padrões, o próximo passo é escolher que veneno
colocar em seu carro.
Comecemos então com o nível mais básico e a prática que é a mais comum
(e barata) para os carros atuais. Vamos começar falando de “Chips” de
injeção. Estes chips, são a forma mais econômica para "envenenar" o
motor de seu carro. A partir de R$ 250,00 reais pode-se encontrar chips
reprogramados para carros nacionais e em certos importados, pode-se
chegar a R$2000,00. Mas vale lembrar que em muitos casos o chip não vai
trazer nenhum ganho de potência. É o caso dos motores de baixa potência,
como os 1.0 litro. O fato de não se conseguir maiores níveis de potência
nesta classe de motores, deve-se ao fato de que na quase totalidade dos
casos, o chip já está programado para proporcionar o melhor rendimento
possível do motor. Nestes casos, normalmente o que se consegue alterando
o programa de gerenciamento, são curvas de torque e potência diferentes,
mas sem alteração nas suas grandezas.
O ideal para aplicação deste tipo de veneno, são os motores maiores em
cilindrada (ou deslocamento). Na verdade os “chips” envenenados quando
instalados em um carro sem nenhum tipo de preparação pode até acarretar
resultados piores que o carro com original. Sabe porque? Em quase todo
nível de preparação o que se tem em mente é melhorar os níveis de ar e
combustível que são admitidos pelo motor e como otimizar a sua queima,
assim quanto mais ar e combustível o motor admitir mais potência será
gerada pelo motor. Para melhorar a quantidade de ar admitida é preciso
trabalhar o corpo de borboleta e trocar todo o sistema de filtro de ar
por um conjunto esportivo ou de melhor rendimento. Além disso os bicos
de injeção devem ser capazes de suprir o sistema com capacidade
adicional de combustível, correspondente às maiores doses de ar.
Mas se você não esqueceu a primeira regra de preparação, que é
"alimentar" melhor o motor com ar e combustível, mesmo que você tenha
conseguido um excelente programa para o seu chip, tenha trabalhado
borboletas e trocado o filtro e conseguido bicos injetores de maior
vazão, ainda há um pouco mais para se fazer. De maneira geral cada carro
utiliza um conjunto de mangueiras, dutos e coletores de admissão para
conduzir ar para o interior do motor. Quanto menos curvas e quanto mais
polidos ou lisos forem estes componentes internamente, menor a
turbulência e melhor a entrada de ar para o interior do cabeçote e
com isso, melhor será a queima.
Bem, se você pensa que a fórmula acaba aqui, enganou-se e este é apenas
o princípio. Da mesma forma que o carburador fazia nos carros antigos, o
módulo de injeção tem por papel gerenciar uma proporção correta entre ar
e combustível e em que momento esta mistura é injetada, para que o motor
não caía na situação de mistura pobre ou rica. Seja qual for esta
situação, ela vai acarretar em perda de rendimento e até quebra do motor
em situações limites. Assim, certifique-se que o chip que será trocado
consegue realizar adequadamente a promessa feita pelo preparador. Se for
o caso, opte pela troca e não pela reprogramação do seu chip, pois se o
resultado não for do seu agrado, a reversão é mais fácil.
Este tipo de "veneno" tem seu resultado intimamente associado ao volume,
à potência e a tecnologia empregada no motor. Desta forma, quanto
maiores e mais modernos os motores, maior a probabilidade de se
conseguir maiores ganhos. Mas veja que estamos falando em
"probabilidade" e não em certeza, já que um determinado motor, mesmo
sendo bastante moderno e de grande volume, pode já ter seu módulo
programado para o melhor desempenho possível. Sempre antes de proceder à
alteração, faça muitas perguntas ao seu preparador em relação aos
resultados que deverá conseguir após a troca.
Independente do grau de alteração desta "receita", um fator extremamente
favorável, além do baixo custo, é que em raros casos a durabilidade do
motor fica comprometida. Os resultados em geral também vêm na mesma
medida e, por exemplo, em relação a um motor 1.8, não se consegue mais
do que uns 5 ou 7 cavalos de potência. Entretanto, uma boa programação
pode lhe render torque em um nível mais baixo de rotações e seja em um
caso ou no outro, um consequente aumento de consumo, como preço a pagar
pelo melhor desempenho.
"Se você souber de um carro que anda muito e bebe pouco mande-me um
email que eu comprarei esse carro!
Já nos motores de 6 cilindros ou mais, ou mesmo os de 4, mas com
mecanismos de comando de admissão variável é possível conseguir-se
ganhos superiores a 15 cavalos de potência e em situações bem
particulares o dobro disto. Atente, que estes casos são exceções e não
as regras. É também importante estar ciente que mesmo que a princípio
você escolha por níveis mais pesados de preparação, a alteração do chip
pode ser necessária e dependendo do caso, obrigatória.
Curiosidades:
Eu tenho um amigo que trabalha na
Volkswagen e tem um Golf GTI de 180 cv, o motor de fábrica já é o
suficiente para mim, eu amo Golf, porém para o Júnior (meu amigo) o
carro andava e consumia muito, até o dia que ele decidiu levar o carro
para São Bernardo do Campo e trocar o chip de injeção em uma loja
especializada neste ramo, a potência do carro subiu para os incríveis
200 cv medido nas rodas e o torque subiu para 28,5 kgfm, por incrível
que pareça o consumo urbano diminui, agora o Júnior roda pela cidade
fazendo uma média de 7,4 km/l e na estrada o carro faz uma média de 13
km/l. Esses valores são desprezíveis para você que não tem um Golf 1.6
original para comparar, pois quem tem sabe que o Golf é gastão e não faz
16.6km/l na estrada como a fábrica divulga.
É lógico que meu amigo tem um golzinho
1.0 para rodar na cidade no dia a dia e o Golf para pegar a estrada...Já
pensou ficar rodando com um carro a gasolina fazendo 7,4km/l ? Só pra
palyboy, ou amigo do dono do posto. Converta
seu carro para alcool na Tuning
Chip! Direitos
Autorais: Alexandre Grecco Envenenado |