Ao contrário do que tradicionalmente
acontece na indústria cinematográfica, no filme Velozes e furiosos, os
personagens interpretados pelos atores Paul Walker, Vin Diesel, Michele
Rodriguez e Jordana Brewster tiveram como coadjuvantes um "elenco" nada
convencional, representado por máquinas, que na sua maioria eram
importadas e que foram significativamente importantes no roteiro do filme.
Portanto, saiba um pouco do que foi o trabalho de escolha dos carros do
filme.
O produtor executivo Rob Cohen teve como tarefa escolher
carros que tivessem um visual e uma performance adequadas ao filme e a
realidade das corridas de rua nos EUA, como explica: “Esses veículos são
realmente a outra parte do elenco. Essa tecnologia de "Rice Rocket" é uma
coisa nova. Os carros envenenados americanos são baseados em motores V8,
ainda equipados com carburadores, mas os corredores que usam estes "Import
Cars", utilizam injeção eletrônica de combustível monitorada por
computador. São carros do século XXI e uma indústria de US$ 5.000.000,00
(cinco bilhões de dólares!) se desenvolveu em torno desse comércio de
peças que se podem acrescentar aos carros, como spoilers, pára-choques,
pneus, aros, intercoolers, megaflows e outros componentes para alta
performance".



Cohen segue dizendo: "Com isso, surgiu uma nova
subcultura, que continua crescendo. Agora você pode pegar o Honda Civic da
sua mãe, acrescentar US$ 10.000 em peças e ter nas mãos um carro de
corrida de alta performance”. Justamente a fim de garantir a
representatividade fiel desta realidade presente nas ruas, Rob Cohen, o
também produtor executivo Doug Claybourne e Neal H. Moritz, desdobraram-se
em arrebanhar nas associações e clubes de proprietários de carros
importadas customizados, que hoje nos EUA congrega algumas dezenas de
milhares de aficionados.
O staff da Universal Studios, começou o
trabalho de triagem com um expert no assunto e que é conhecido no meio
pelas exóticas e poderosas máquinas que costuma ter em sua posse, Craig
Lieberman. Cohen disse: "Chamamos Craig aqui na Universal e entregamos o
roteiro para que examinasse, ele que lidera a NIRA (National Import Racing
Association), e também a RJ De Vera, ex-corredor de rua e uma lenda viva,
agora empresário do meio e ainda envolvido em corridas autorizadas. Eles
corrigiram alguns detalhes mas, em outros, nos demos o direito de tomar
certas liberdades dramáticas".
Lieberman foi com seu reluzente
Toyota Supra à Universal Studios e durante a conversa com Cohen, teve seu
carro literalmente guardado por uma escolta de seguranças. Na reunião,
Cohen disse a Lieberman que ele queria exatamente carros como aquele
fabuloso Supra, inclusive o prórpio. Craig Lieberman, ficou maravilhado
tanto por ter tido seu carro escolhido como parâmetro, como por ver nascer
um filme a respeito de um assunto tão apaixonante, quanto inédito em
Hollywood.
David Marder, um dos profissionais da área de transporte
mais respeitados da indústria e que deu assitência aos cineastas em cada
passo da produção, dá mais detalhes de como foi o processo de utilização
dos carros no filme: "Como o orçamento não permitia que o filme fosse
feito com carros valendo US$ 100.000 ou mais, escolhíamos um veículo e
criávamos réplicas idênticas nos mínimos detalhes, algumas vezes em
múltiplas cópias. Por exemplo, construímos sete versões diferentes do
Mitsubishi Eclipse, que é o primeiro carro dirigido por Brian, o
personagem de Paul Walker".
Os carros dirigidos pela equipe de
Toretto são alguns dos mais espetaculares que David Marder conseguiu
encontrar, como o segundo carro de Brian, um lendário Supra que era de
propriedade de Craig Lieberman e que mesmo antes do filme já havia ganho
diversos prêmios e havia feito aparições em algumas dezenas de mídias
especializadas. Ele tem dois turbos, injeção de NOS (óxido nitroso) e mais
de 600 cavalos de potência, sem contar a quantidade de acessórios de toda
natureza, como tela de cristal líquido, DVD player e até um
Playstation.
Apesar do aspecto já bastante exótico do carro de
Leiberman, um trabalho extensivo foi feito para mudar sua aparência para
algo ainda mais agressivo. O Supra recebeu a pintura laranja da
Lamborguini Diablo e um kit aerodinâmico então recém lançado da Bomex e
importado do Japão. Novas rodas aro 19 polegadas foram colocadas, além de
um novo aerofólio de produção da AP Racing, um novo capô da TRD em fibra
de carbono. Completando o novo make up do carro, alguns stickers (espécie
de adesivos) da Troy Lee Graphics, foram distribuídos em diversos pontos
do Supra. A partir daí, o estúdio iniciou a construção de cinco réplicas
idênticas, todas para substituir o original nas sequências de ação. Todas
as réplicas foram destruídas durante as filmagens.
Os desenhos que
adornam os carros da gangue de Toretto, também foram produzidos
visualmente por Troy Lee, outro nome de peso na área, mas sob a supervisão
do desenhista de produção Waldemar Kalinowski. Além dos carros, Dave
Marder conseguiu reunir um bom número de motocicletas incrivelmente
rápidas das marcas Yamaha, Honda e Suzuki, que foram dirigidas pela equipe
de Johnny Tran. O próprio Marder liderou uma equipe de 82 profissionais
para redesenhar, construir e fazer a manutenção de todos os veículos
usados nas sequências.



Durante todo o filme, alguns das 150
máquinas importadas convocadas, além de seus proprietários verdadeiros,
foram utilizados repetidamente em várias tomadas e seqüências. "Estamos no
século XXI, e se minha geração tinha rádio e televisão, esta geração tem a
Internet. Eles constituem pessoas com forte apelo visual. Cada um destes
caras tem monitores fixados aos seus carros, onde jogam videogames e usam
a Internet!", diz ele.